Trancoso cumpre a tradição e celebra em 29 de maio o seu Feriado Municipal / Dia do Municipio assinalando o 625º aniversário da Batalha de São Marcos, refrega que opôs portugueses e castelhanos invasores, vitoriosa para os portugueses e determinante para a independência nacional na crise de 1383-85.
Capela de São Marcos e Padrão Evocativo (à esquerda na foto)
O Campo de São Marcos engalana-se em festa e evoca os heróis de antanho, juntando a comunidade trancosense, seus autarcas e forças vivas, num ambiente de evocação, reflexão, mas também de confraternização e alegria.
As cerimónias culminam com a distribuição de pão e laranjas às crianças presentes no local, numa evocação da forma como as forças portuguesas deixaram os exércitos invasores em 1385.
tradicional distribuição de pão e laranjas
O feito vai ficar em Trancoso assinalado com um Centro de Interpretação da Batalha de Trancoso ou de São Marcos, um dos investimentos que o Município considera estratégicos para o enriquecimento patrimonial e cultural de Trancoso e seu concelho.
PROGRAMA
10h:00 - Hastear da Bandeira na Câmara Municipal
10h:30 - Inauguração da VIII Mostra de Filatelia e de Colecionismo no Centro Cultural de Trancoso
11h:00 – Assinatura do Protocolo entre a Direção Regional de Cultura do Centro e a Câmara Municipal, relativo à delegação de competências para a gestão e animação do Castelo de Trancoso, no Convento de São Francisco – Teatro Municipal – seguida de visita ao Castelo;
15h:00 – Cortejo Cívico ao Planalto de S. Marcos
16h:00 – Intervenções evocativas da Batalha de Trancoso e do Feriado Municipal;
16h:30 – Tradicional distribuição de pão e laranja às crianças
18h:00 – Arraial Popular e Lanche Convívio no Planalto de São Marcos
21h:00 – Conferência: “A Viagem”, pelo Prof. Dr. Carvalho Rodrigues, no Clube Trancosense, (organização em conjunto com o Clube Rotário de Trancoso e a Câmara Municipal)
22h:00 – Concerto com o grupo musical “Q de Pato”, no Convento de São Francisco – Teatro Municipal.
A HISTÓRIA
Estava-se em 1385. O rei português D. Fernando, casado com D. Leonor Teles, falecera a 22 de outubro de 1383. Deste casamento nasceu uma filha, D. Beatriz e colocava-se a questão da sua sucessão ao trono.
A maioria dos nobres havia seguido os pretensos direitos de D. Beatriz, casada com o D. João I, rei de Castela, ao trono de Portugal que, entretanto, ficou a ser governado sob a regência de D. Leonor.
D. João I de Castela quis então reclamar a governação de Portugal, abrindo-se grande divisão na sociedade portuguesa.
A crise de 1383-1385 ficou então conhecida por Guerra da Sucessão.
Querendo valer os seus direitos, D. João I de Castela invadiu Portugal.
Numa das primeiras tentativas, entrou em Portugal e foi derrotado na batalha dos Atoleiros a 4 de abril de 1384. Antes. Porém, tinha feito cerco por terra e com forças navais a Lisboa mas a peste que atingiu também D. Beatriz obrigou-o a regressar a Espanha.
Regressou de novo determinado a vencer os portugueses entrando pela fronteira próximo de Almeida, praça que tinha aderido à sua causa.
Passando ao lado de Trancoso, o exército invasor passou ao lado de Trancoso e foi atacar Viseu, que saquearam. Aprovisionados e com elevado produto do saque e prisioneiros, os Castelhanos traziam no seu conjunto grande número de besteiros e peões, mais 400 homens de armas e outros tantos pagens e 200 ginetes.
Em Trancoso, determinados a defender a soberania nacional, 300 homens de armas, umas escassas dezenas de peões a que se juntaram homens da lavoura, esperaram os invasores castelhanos que, encarando-os, deram o flanco para os lados de Freches.
Determinados, os portugueses foram nessa direção esperando-os junto á Capela de São Marcos, nas imediações da Vila onde cortaram o caminho às forças de D. João I de Castela.
Inevitável, deu-se a batalha, renhida e sangrenta. Saíram vitoriosas as forças portuguesas e desbaratados e colocados em autêntica penúria os invasores de Castela que ficaram “ a pão e laranjas”.
Esta batalha de São Marcos ou de Trancoso foi determinante para a vitória mais tarde alcançada em Aljubarrota, em 14 de agosto de 1385.
Em memória desta vitória é costume distribuírem-se pão e laranjas às crianças neste dia de Feriado Municipal concentrado em torno da Capela evocativa do santo.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***