Trancoso vai recuar à Idade Média e rememorar, em 26 e 27 de junho, as Bodas Reais realizadas nesta então vila de D. Dinis e D. Isabel de Aragão (a Rainha Santa) realizadas em 1282.
Um dos principais cartazes turísticos, culturais e históricos da também histórica Trancoso encherá a urbe com nobres, mendigos, guerreiros,mouros e cristãos, judeus e mercadores, pregoeiros, taberneiros, cavaleiros e infantes, conferindo um colorido de alegria e movimento ao perímetro amuralhado na antiga “ vila” agora cidade de Bandarra.
A Festa da História, organizada pela Câmara Municipal de Trancoso, AENEBEIRA- Associação Emprearial do Nordeste da Beira e TRANCOSO EVENTOS – Entidade Empresarial Municipal EEM é, de facto, um evento ímpar nesta terra plena de memórias de guerreiros e heróis, poetas e artistas, gente de povo laborioso que construiu ao longo dos tempos uma terra onde há progresso e qualidade de vida.
Durante dois dias não faltarão torneios de armas, a reconstituição do recrutamento de homens para a defesa do burgo, o assédio e assalto por tropas castelhanas mas também os festejos da vitória dos trancosanos com bailias, danças e folguedos.
Luta entre Cristãos e Mouros
A Festa da História, em Trancoso, realiza-se na zona nobre da antiga Vila – agora cidade - com espaços dedicados às tendas de artesanato, tabernas, tendas militares e de ofícios medievais, com animação de folguedos, danças, torneios de armas, bobos, saltimbancos e desfiles, sendo o ponto alto a rememoração do casamento real de D. Dinis e Isabel de Aragão.
O Largo D. Dinis vai receber, de novo, o Trono Real e acolherá os “monarcas” que assistirão, com todas as honrarias, a pelejas e confrontos de cristãos e mouros, a danças e bailias.
O CORTEJO REAL
Em volta, o típico burburinho dos mercados com tendas dos mesteirais, os pregões, os pedintes que se misturam com a populaçao acotovelada, os almocreves, os quinquilheiros, bobos e, à mistura, as músicas de trovadores e jograis .
A Rua da Corredoura, como outrora, anima-se com o colorido dos vendedores, de tendeiros e doceiros, feirantes engalados festivamente para receber e festejar “Suas Majestades” D. Dinis e D. Isabel.
O ponto alto está reservado ao cortejo real, habitualmente a partir das Portas D’El Rey, percorrendo a Corredoura a caminho do Largo D. Dinis, onde o Pelourinho e a Igreja de São Pedro (onde está sepulto o poeta-profeta-sapateiro Gonçalo Anes, o Bandarra), a Igreja da Misericórdia e o casario envolvente emprestam o ambiente necessário para a festa.
Tudo isto com aromas a carne assada, petiscos e acepipes regado com bom vinho regional.
A Ceia Medieval
A Ceia Medieval com iguarias medievais e muita animação permanente, recria um autêntico repasto da época, na qual não faltaram os bobos, os malabaristas, a música e dança e ainda alguns episódios burlescos.
Torneios e Jogos de Armas
São as gentes, do “passado” e do presente, num ambiente da feira que lembra os relatos de outras feiras, da Idade Média. Tempos trazidos à memoria por grupos profissionais,, alunos da Escola Profissional e outros estabelecimentos de ensino, instituições, populares novos e menos novos.
A Festa da História apresenta-se, assim, autêntica, espontânea no convívio e na alegria, verdadeira na evocação, participa pelas pessoas que orgulhosamente sabem afirmar-se como Trancosenses e Portugueses.
“D. Dinis e D. Isabel de Aragão”
A Festa da História e das Bodas Reais de D. Dinis e D. Isabel de Aragão começou por ser uma iniciativa da Escola Profissional de Trancoso em 2001, no âmbito de uma PAP (Prova de Aptidão Profissional).
Na altura teve lugar a 1ª Feira Medieval de Trancoso, iniciativa que contou com o total apoio da Câmara Municipal de Trancoso e tem vindo a ganhar força e importância ao nível do turismo, fazendo já parte, de um calendário de Feiras Medievais que têm vindo a surgir um pouco por todo o país.
EMILIA TRACANA
Emilia Tracana, professora da Escola Profissional de Trancoso, tem sido ao longo das diversas edições a principal dinamizadora e entusiasta, tendo a particularidade de ela própria e auxiliada por sua mãe, confecionar os trajes medievais que são já referência e solicitados em Portugal e estrangeiro, nomeadamente em Espanha, pela sua originalidade, rigor histórico mercê de investigação e autencidade.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***